Afinal, utilização de viseira não dispensa o uso de máscara

Graça Freitas afirmou, esta segunda-feira, que as viseiras devem ser utilizadas juntamente com outro método-barreira que permita tapar também a boca e o nariz, como uma máscara.

A utilização de viseiras de proteção não dispensa o uso de máscaras comunitárias pela população em geral, avisou esta segunda-feira a diretora-geral da Saúde.

“[A viseira] protege muito bem os olhos, protege muito bem o nariz, mas a boca já não protege tão bem, porque é aberta em baixo, e existem gotículas expelidas através do espirro, da tosse, ou mesmo da fala. Deverá ser sempre usada complementarmente com um método-barreira que permita tapar a boca e o nariz.”

Durante a conferência desta segunda-feira, a Graça Freitas apelou ainda a uma atenção particular no uso das máscaras, avançando que não devem ser “manuseadas“.

“Devem pôr-se com muito cuidado com os elásticos e devem ser retiradas com igual cuidado. Usar máscara quando está indicado sim, mas usá-la com muita precaução para não a conspurcar demasiado, ou não a conspurcar de todo”, referiu, citada pelo Público.

“Não nos podemos esquecer que, com máscara ou sem máscara, com viseira ou sem viseira, a regra do distanciamento físico se mantém“, realçou a mesma responsável responsável, no dia número 1 do desconfinamento.

“Temos de continuar a manter a disciplina. Mesmo com um método-barreira, temos de continuar a manter o distanciamento. Também se mantém a regra da higiene das mãos, uma vez que todos sabemos que são o grande veículo de transporte do vírus para outras partes do corpo e para outras superfícies”, sublinhou.

No decreto de lei publicado a 1 de maio o Governo indicava que “é obrigatório o uso de máscaras ou viseiras”, recorda o jornal Eco. Em causa estava o  decreto-lei 20/2020, no qual o Governo definiu as regras para esta nova fase de algum desconfinamento. Tal como sublinha o Diário de Notícias, o Governo não faz distinção, na lei, entre máscara e viseira.

Ordem pede alteração da legislação

A Ordem dos Médicos e o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas alertam para os riscos que a utilização de viseiras, em vez de máscaras, representa em termos de saúde pública e pedem que o governo altere a legislação.

Num comunicado conjunto, consideram que a legislação que equipara as máscaras às viseiras, pode comprometer os resultados obtidos até agora no combate à pandemia da covid-19 pois a viseira “é um bom elemento de proteção a nível ocular, confere alguma proteção das vias aéreas a quem a usa, mas não confere proteção às outras pessoas”.

“Não existem estudos sólidos sobre o impacto da utilização da viseira, como alternativa à máscara, na redução do risco de contágio pelo novo coronavírus em termos de infeção através das vias aéreas”, insistem.

A posição das escolas médicas e da Ordem está em linha com a da diretora-geral da Saúde, que na segunda-feira alertou que as viseiras de proteção facial não dispensam a utilização de máscara, considerando que, apesar da sua utilidade, devem sempre ser complementadas por um “método de barreira que permita tapar a boca e o nariz”.

Portugal regista 1.063 mortos por covid-19, em 25.524 casos confirmados de infecção. O país entrou este domingo em situação de calamidade, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência.

in ZAP

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