Pandemias são “um risco iminente”, diz Fórum Económico Mundial

Países ignoraram riscos a longo prazo e, em 2020, assistiram aos seus “efeitos catastróficos”, como a pandemia. Desigualdades estão a aumentar e, dentro de cinco a dez anos, poderão afetar a estabilidade geopolítica.

De acordo com o “Global Risks Report”, elaborado pelo Fórum Económico Mundial (WEF, sigla em inglês), em resultado de uma parceria com a Marsh & McLennan Companies e o Zurich Insurance Group, o mundo assistiu aos efeitos catastróficos provocados pela pandemia de Covid-19, após “ignorar a preparação e os riscos a longo prazo”.

O WEF refere que, nos últimos 15 anos, tem vindo a alertar para os perigos existentes na sociedade, que podem representar uma ameaça global, dando como exemplo a covid-19, que “retirou a vida a milhões de pessoas”, enquanto ampliava as “as disparidades já existentes ao nível da saúde, da economia e do digital”.

Segundo o documento, a coesão social ficou em risco depois do fosso que separa “ricos” e “pobres” no acesso à tecnologia e competências digitais ter aumentado. A instituição destaca que esta divisão poderá vir a afetar gravemente os jovens, que estão em risco de perder oportunidades na próxima década.

Quanto às empresas, o WEF prevê que estas possam ficar ameaçadas pela pandemia de covid-19, principalmente ao nível financeiro, digital e reputacional.

Os riscos ambientais são outro fator que a entidade tem em consideração, uma vez que “lideram por impacto e probabilidade”. O relatório destaca que “as fraturas sociais, a incerteza e a ansiedade” põem em causa a “tão necessária coordenação para abordar a degradação contínua do planeta”.

Em contraste com relatórios anteriores, esta é a primeira vez que o WEF perspetiva os riscos que podem vir a representar uma ameaça global. Em primeiro lugar, são considerados de risco claro e iminente (até dois anos), todos os que revelem “preocupação com as vidas humanas e os seus meios de subsistência”, como as doenças infeciosas, o desemprego ou as desigualdades sociais.

Como riscos de médio-prazo (de três a cinco anos), estão “explosões da bolha de ativos, o colapso das infraestruturas de TI, instabilidade de preços e crises da dívida”, uma vez que o WEF prevê repercussões ao nível económico e tecnológico.

Em último, surgem os riscos de longo prazo (entre cinco e dez anos), que dizem respeito a armas de destruição massiva, colapso de Estados, perda da biodiversidade e avanços tecnológicos adversos, que poderão impactar a estabilidade geopolítica dos países na próxima década.

“Sabemos o quão difícil é para governos, empresas e outros stakeholders abordar estes riscos a longo-prazo, mas a lição para todos nós passa por reconhecer que ignorar estes riscos não faz com que a probabilidade de acontecerem seja menor”, avisa Saadia Zahidi, diretora do WEF.

Para já, o responsável destaca que é necessária uma rápida emergência dos Estados para “moldar a nova economia e os sistemas sociais”, de forma a melhorar a resiliência coletiva e “a capacidade de responder a choques”.

 

Em PME Magazine

Ela deixou tudo pelo planeta

Ela deixou tudo para defender o planeta

Trabalhou como advogada em Madrid, Londres e Nova Iorque. Desencantou-se com o Direito e em 2017 saiu da sua zona de conforto para contribuir para um mundo sustentável.

Nas muitas viagens que fez, observou os efeitos nefastos das alterações climáticas, mas o furacão Sandy, que devastou o estado de Nova Iorque em outubro de 2012, foi a “gota de água” para Joana Paredes Alves deixar tudo e passar a dedicar-se às causas ambientais e sociais. Hoje, é cofundadora da Aplanet, uma startup premiada, com presença em Espanha, Portugal e Brasil. Fundada em 2019, tem como missão levar a responsabilidade social à estratégia central das organizações através de soluções tecnológicas que permitem gerir, medir e reportar o seu impacto ambiental, social e económico.

Em menos de dois anos, a Aplanet foi distinguida pela Fundação Bill & Melinda Gates e pelo RW Institute como uma das tecnologias mais completas a nível mundial para a gestão da ação social, e pela Business Starter Acceleration como uma das startups mais inovadoras para o setor da energia em Espanha. Também teve outros reconhecimentos — já este ano, venceu o prémio do jornal Expansión para a melhor startup de 2020 em Espanha.

No infantário, Joana, de 38 anos, já dizia que queria ser advogada. Licenciou-se na Católica em 2005 e logo a seguir, para “alargar horizontes”, foi para Madrid. E depois para Londres, onde fez o mestrado, trabalhou num escritório de advogados e assistiu à crise financeira do subprime, em 2008. “Vi o pior acontecer à minha volta, a maior parte dos meus amigos foram despedidos e foi aí que comecei a questionar os princípios sobre os quais o nosso sistema assentava”, recorda à SÁBADO. Através do mesmo escritório de advogados, trabalhou os três anos seguintes em Lisboa, até ir para Nova Iorque, em 2012, convidada como investigadora de temas sobre a crise e o direito financeiro, na Universidade de Fordham.

Um mês após ter chegado, a cidade foi atingida pelo furacão Sandy e a advogada ficou sem casa durante dois meses, devido à subida do nível das águas no Sul de Manhattan. Não havia eletricidade e transportes, nem sítio onde ficar, e Joana refugiou-se em casas de amigos. “Pensávamos que uma cidade como Nova Iorque estaria preparada para tudo, mas não. O cenário era caótico. Aí, mudei o foco da investigação sobre a crise financeira para a necessidade de mudarmos para um sistema mais sustentável. Estava desencantada com o Direito e tinha a certeza de que me queria dedicar à sustentzbilidade, só não sabia como, porque na época ainda era uma área em que se trabalhava em regime pro bono”, conta. Entretanto, começou a contactar consultoras que estavam na linha da frente da estratégia climática e participou em feiras do carbono. “Em novembro de 2015, apanhei um avião e fui assistir à assinatura do Protocolo de Paris”, diz.

 

De mochila às costas

Filha de Joaquim Paredes Alves — falecido em 2015, um dos maiores empresários hoteleiros portugueses, com unidades em Portugal, Brasil e Angola, e vencedor de várias medalhas de ouro do turismo —, Joana começou cedo a viajar sozinha, de mochila às costas, pelos locais mais remotos. Em 2010, andou pela América do Sul durante quatro meses — partiu do Equador e terminou na Argentina “Tinha saído de um escritório de advogados e decidi fazer um reset à minha vida, para me desconstruir e conectar comigo mesma. Como sempre tive um espírito aventureiro e adoro estar em contacto com a natureza, fui.” Desde então, todos os anos faz uma viagem sozinha. Já esteve na América Central e do Norte, na Ásia e no Médio Oriente. E apanhou alguns sustos: foi roubada na Costa Rica e em Israel, e apanhou malária na Colômbia, enquanto andava pela selva, a caminho da Cidade Perdida: “Só tive sintomas 15 dias depois, já nas ilhas Galápagos, no Equador. Comecei a sentir- -me muito mal e dirigi-me a um hospital, de onde não me queriam deixar sair, mas eu lá arranjei maneira de regressar a Portugal. Há sempre solução para tudo.” Joana diz que nunca se sente insegura e que encara as aventuras como um desafio e não como uma ameaça. “Viajar sozinha deu-me imensa autoconfiança e resiliência.” Apaixonada por escalar montanhas, o que para ela é uma metáfora para a vida — “só temos de estar focados em chegar ao cume e dar um passo de cada vez” — subiu o Kilimanjaro, o ponto mais alto de África, na Tanzânia, em 2016. E mais uma vez sozinha. E não descansa enquanto não subir os outros Sete Cumes (as montanhas mais altas dos vários continentes).

Em 2017, ganhou coragem e mudou de vida. Deixou o Direito e foi para Denver, no Colorado, EUA, fazer o curso com o vice-presidente dos EUA Al Gore para ingressar no The Climate Reality Project e passar a dedicar- -se às alterações climáticas. Quando começou a trabalhar na área, percebeu que a sustentabilidade tinha de ser vista como um todo: “O foco não pode estar só na parte ambiental (emergência climática e biodiversidade), mas também na social (desigualdades e direitos humanos) e de govemance (ética e transparência)”. E confessa: “Apaixonei-me pela tecnologia ao serviço da sustentabilidade e pelo mundo das startups tecnológicas porque vi que havia mais inovação, agilidade e potencial para resolver problemas em concreto.”

 

Os desafios do Protocolo de Paris

Em 2018, a viver em Madrid há cerca de três anos, entrou para o mundo das startups ligadas à sustentabilidade. Num desses projetos, conheceu a espanhola Johanna Gallo, que trabalhava em tecnologia na Amazon, e o gestor francês Cyril Pierre. Fizeram um estudo de mercado sobre os desafios e as necessidades dos profissionais de sustentabilidade e das empresas, e no início de 2019 lançaram a Aplanei. Montaram uma equipa tecnológica em Madrid e na Índia, aliada a um grupo de especialistas em sustentabilidade em Espanha, Portugal e Brasil. Joana explica: “Desenvolvemos plataformas de software, que ajudam as empresas a gerir e monitorizar de forma mais eficiente a sua informação ambiental e social, de modo a poupar tempo e recursos para melhorar os seus impactos. Além das empresas, ajudamos universidades ou câmaras a envolverem os estudantes e cidadãos a participarem nas suas iniciativas ambientais e sociais através de uma app e assim medirem a sua contribuição para os objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas.” E acrescenta: “Uma das missões da Aplanei é democratizar o acesso à tecnologia. O objetivo é que as pequenas e médias empresas sejam mais eficientes a conseguirem melhorar os seus impactos.”

Com sede em Espanha, a Aplanet tem escritórios em Madrid e Bilbau e uma forte presença em Lisboa e no Brasil. Líder nos mercados onde opera, tem na sua lista de clientes empresas e instituições como Banco de Portugal, EDP, Benfica, Grupo BNP Paribas, Montepio, Delloitte, Fujitsu, Leroy Merlin, Zurich, Câmara de Braga, Prefeitura do Rio de Janeiro, Ambev, Banco do Brasil, Globo ou Telefonica. Em 2019, Joana, que está a viver em Lisboa desde o início da pandemia, fez o curso de Sustalnability Leadership em Harvard.

Portugal é dos países da OCDE onde a poupança para a reforma mais caiu com a crise da covid-19

As contribuições para planos de poupança para a reforma caíram 19,6% em Portugal no segundo trimestre face ao mesmo período de 2019. É a queda mais marcada entre os países onde este indicador é apresentado no relatório “Retirement Savings in the Time of COVID-19”, da OCDE, publicado esta segunda-feira

Os tempos são de dificuldade e incerteza, na sequência da crise associada à pandemia de covid-19, e estão a levar os portugueses a poupar menos para a reforma. Essa é uma das conclusões do relatório “Retirement Savings in the Time of COVID-19”, elaborado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) e publicado esta segunda-feira e par do “Pensions Outlook 2020”.

Os dados compilados pela OCDE mostram que no segundo trimestre deste ano as contribuições em Portugal para planos de poupança para a reforma (a informação abrange fundos de pensões abertos e fechados, bem como fundos pessoais de poupança para a reforma estabelecidos como fundos de pensões) caíram 19,6% face ao mesmo período de 2019. Isto quando nos primeiros três meses do ano tinham crescido mais de 60% em termos homólogos.

É a quebra mais pronunciada no segundo trimestre entre o conjunto de países selecionados pela OCDE e para os quais são apresentados dados neste indicador. Por exemplo, na Austrália o recuo foi de 1,4%, chegando a 4,7% na Letónia e 16,5% na Polónia.

A análise da OCDE constata ainda que na sequência da pandemia, diversos países, entre os quais Portugal, levantaram as penalizações ou alargaram as condições em que os membros podem aceder às poupanças para a reforma. Isto para ultrapassarem as dificuldades de curto prazo colocadas pela covid-19 nas finanças pessoais e familiares.

No caso de Portugal, em concreto, foram alargadas as condições legais para retirar poupanças de forma antecipada dos esquemas de poupança individual para a reforma (os conhecidos PPR), incluindo situações como o isolamento provocado pela doença, a assistência à família, o lay-off, o desemprego ou a cessação de atividade, aponta a OCDE.

Uma mobilização antecipada de fundos que está limitada a 438,81 euros por mês, valor que corresponde ao Indexante de Apoios Sociais.

A OCDE alerta, contudo, que esta facilitação do acesso antecipado a poupança para a reforma, para providenciar alívio de curto prazo às famílias, tem “riscos potenciais de longo prazo”.

 

In Expresso

Anda de bicicleta? 10 dicas de segurança que tem de saber

A bicicleta ganha, diariamente, novos utilizadores, quer pelo surgimento de novas ciclovias nas cidades, quer pelo aumento da procura de velocípedes durante o período da pandemia, resultante da recomendação de meios de transporte que promovam o distanciamento social.

Pedalar melhora a frequência cardíaca e fortalece o coração. O vento a bater na face fá-lo-á sentir-se mais livre e bem-disposto. Selecione trilhos diferentes para que, a partir do seu selim, disfrute da beleza natural ou urbana que estiver ao seu redor.

Como qualquer outro meio de transporte, andar de bicicleta implica também adotar um conjunto de cuidados e cumprir determinadas regras. A seguradora Zurich preparou 10 dicas sobre como andar de bicicleta em segurança. Curioso(a) em saber quais são? Veja na lista abaixo:

1- Use equipamento de proteção. Apesar da utilização do capacete não ser obrigatória – apenas os condutores de velocípedes e trotinetas com motor são obrigados a tal -, este elemento deve ser tido em consideração, pois permite diminuir o risco de traumatismo craniano em caso de queda. Esta dica é ainda mais importante para pessoas com pouco experiência em andar de bicicleta, bem como para crianças, que para além do capacete poderão usar joalheiras e cotoveleiras para uma maior proteção.

2 – Mantenha-se visível. Sobretudo quando circula à noite ou em dias de muito nevoeiro, dois momentos em que a utilização de dispositivos de iluminação (luz branca à frente e vermelha atrás) é obrigatória. Adicionalmente, pode vestir roupa retrorrefletora para se destacar na estrada.

3- Não circule nos passeios. Uma vez que os passeios são exclusivos para os peões, conduza pelas vias destinadas às bicicletas sempre que possível, ou na estrada. A lei permite apenas às crianças, até aos 10 anos, circular de bicicleta nos passeios, desde que não ponham em perigo ou perturbem os outros peões.

4 – Esteja atento. Quer aos veículos e peões que o rodeiam, quer aos obstáculos na estrada, como buracos ou tampas de saneamento. O segredo para uma condução segura está na utilização da visão e da audição a todo o momento, bem como na antecipação dos movimentos, manutenção da distância de segurança e em não efetuar manobras arriscadas (como ultrapassar pela direita).

5 – Não use auscultadores. Para além de ser proibida, esta prática proporciona a alteração da perceção do que o rodeia e, por isso, pode dar origem a acidentes. Poderá, em alternativa, utilizar aparelhos dotados de um único auricular ou de microfone com sistema de alta voz, cuja utilização não implique manuseamento continuado.

6 – Sinalize os seus movimentos. Quando quiser parar ou mudar de direção sinalize essa intenção através do movimento com o braço para que, tanto condutores como peões saibam para onde se dirige. Antes de fazer a manobra, olhe sempre para trás, de forma a confirmar que não incorre nenhum perigo.

7- Respeite o código da estrada. Os ciclistas não podem andar em contramão, ignorar os semáforos ou não parar perante sinais STOP, pois se o fizerem estarão a incorrer numa infração. Lembre-se também que todos os condutores de velocípedes devem ter consigo o seu documento legal de identificação pessoal.

8- Faça uma manutenção periódica à sua bicicleta. Para garantir maior segurança e durabilidade do veículo é importante manter as partes móveis da bicicleta sempre lubrificadas e limpas. Os aros das rodas precisam de se manter secos para que não enferrujem. Outros componentes como o selim ou os pedais devem estar apertados e regulados para maior conforto.

9 – Proteja-se com um seguro. Apesar de não ser obrigatório, um seguro específico para ciclistas é essencial para se proteger contra eventuais acidentes, podendo assim encarar as suas deslocações com maior confiança e paz de espírito.

10 – E proteja os outros. Pense nas pessoas com quem se vai cruzar enquanto for a pedalar e tenha a preocupação de as proteger, contratando uma cobertura adicional que lhe permite assegurar danos materiais e corporais provocados a terceiros.

 

In GreenFuture

Matosinhos adere ao programa “Eu e a minha reforma”

Matosinhos adere ao programa “Eu e a minha reforma”, destinado a quem tem mais de 55 anos.

Eu e a minha reforma

Para combater o défice de literacia financeira da população com mais de 55 anos, a Fundação Dr. António Cupertino de Miranda juntou-se a um conjunto de municípios, entre os quais o de Matosinhos, para implementar um programa de capacitação financeira e digital.

Apoiado pela Portugal Inovação Social, através do Fundo Social Europeu, o programa “Eu e a minha reforma” visa a aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento de competências que permitam uma tomada de decisões financeiras corretas e informadas, a melhoria da capacidade de avaliação de riscos, de prevenção de situações de fraude e burla, bem como de outras situações que podem comprometer a sustentabilidade financeira e prejudicar seriamente o bem-estar e a qualidade de vida de cada um, com custos familiares e sociais.

Planeamento e gestão do orçamento, impostos, seguros, poupança e suas aplicações, crédito e endividamento, produtos financeiros, direitos e deveres dos consumidores ou hábitos de precaução contra a fraude são alguns dos temas que serão abordados.

Os participantes terão também oportunidade de desenvolver competências digitais, que lhes permitam beneficiar das “facilidades” de utilização dos serviços digitais, nomeadamente dos serviços financeiros, ao dispor de todos os cidadãos.

Os “Laboratórios de Literacia Financeira” irão realizar-se até dezembro de 2022, sob a forma presencial ou online, e contarão com a participação de entidades externas, tais como a Associação Portuguesa de Seguradores, o Banco de Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e a PricewaterhouseCoopers.
As inscrições são gratuitas e decorrem até ao próximo dia 23 de outubro através do e-mail geracoes@cm-matosinhos.pt. Podem participar adultos com idade igual a 55 anos.

Para mais informações, ligue para o número de telefone 226 101 189 ou envie um email para eueaminhareforma@facm.pt

 

In Leça-Palmeira

Tem seguro automóvel? Deve saber em que consiste a franquia

Em Portugal é obrigatório, por lei, ter seguro automóvel para todos os veículos terrestres com motor (e respetivos reboques) para os quais seja obrigatório ter um título de condução, pelo que deve ter em consideração vários aspetos aquando da escolha do seguro, para que opte pelo mais vantajoso.

Não é só importante olhar ao prémio a pagar, mas também analisar as coberturas incluídas e as condições que são estipuladas no contrato, nomeadamente o valor da franquia, que terá impacto direto no preço do seu seguro.

Mas em que consiste a franquia do seu seguro automóvel? Conforme mencionado no website da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), “a  franquia corresponde ao valor que fica a cargo do tomador do seguro, em caso de  sinistro”, responsabilizando-o por uma parte do prejuízo.

Imaginemos que tem um acidente. Dependendo do que ficou definido nas condições particulares da sua apólice de seguro, pode ficar responsável pelo pagamento de um montante fixo ou de uma percentagem do valor do capital seguro ou do dano.

 

Como é definido o valor da franquia?

O valor da franquia é definido nas condições específicas do contrato do seu seguro automóvel e pode ter um valor fixo, independentemente dos danos do acidente, ou ser estipulado com base numa percentagem do valor do carro ou dos danos.

O caso do Miguel

O Miguel tem um carro cujo valor comercial é de 15 mil euros e, há duas semanas, teve um acidente do qual resultaram danos no valor de mil euros, sendo necessário ativar o seu seguro auto.

Foi verificar a sua apólice de seguro para saber qual o valor dos danos que ia ficar a seu encargo e verificou que a franquia acordada com a seguradora tinha por base uma percentagem do valor do carro, correspondente a 5%.

Desta forma, o Miguel ficou encarregue de pagar 750 euros pelos danos resultantes do acidente, independentemente do prejuízo gerado. Por sua vez, a seguradora encarregou-se de pagar apenas os 250 euros, perfazendo os mil euros totais.

O caso da Marta

A Marta teve um acidente do qual resultou um prejuízo de 800 euros. Como o seu contrato estipula um valor fixo de franquia de 500 euros, independentemente do valor do seu carro, ela sabia que teria de encarregar-se desse valor.

Assim sendo, a seguradora ficou apenas responsável por pagar os 300 euros restantes.

 

Como funciona a franquia do seguro auto?

Algumas seguradoras têm franquias obrigatórias, ao passo que outras permitem que o valor e a modalidade (valor fixo ou percentagem) sejam negociados com o tomador.

A franquia do seguro auto funciona de duas formas diferentes, dependendo do tipo de seguro e das coberturas que o mesmo engloba e que são ativadas.

Caso tenha um seguro de danos próprios, o valor da franquia é deduzido ao valor da indemnização pago pela seguradora ao tomador do seguro, ou seja, não tem de se preocupar em pagar nada à sua companhia de seguros depois.

Se usufruir de um seguro de responsabilidade civil, a seguradora paga a indemnização na totalidade aos terceiros lesados no acidente, tendo o tomador do seguro de pagar à companhia de seguros o valor da franquia, posteriormente.

Tenha atenção:

Se o prejuízo resultante do sinistro for inferior ou igual ao valor da franquia, o pagamento é inteiramente da responsabilidade do tomador do seguro. A seguradora apenas cobre os danos que são superiores à franquia, até ao montante do capital seguro.

 

Qual o impacto da franquia no valor do prémio?

A existência de franquias nos contratos de seguro automóvel não só tem vantagens para as seguradoras, como também favorece os segurados, pois quanto mais elevado for o valor da franquia, mais baixo será o prémio do seguro.

No entanto, uma vez que é o tomador que fica responsável por parte dos prejuízos, as seguradoras conseguem reduzir os custos, pois acabam por não ter de assegurar o pagamento de danos mais reduzidos, sendo que, muitas vezes, alguns sinistros nem chegam a ser participados às companhias.

 

O que ter em conta na definição de uma franquia?

Ter um seguro com um prémio anual reduzido é bastante aliciante, no entanto é necessário que tenha em consideração que, se a sua seguradora apresentar um preço mais baixo, provavelmente o valor da franquia vai ser mais elevado em algumas coberturas, significando que os custos de reparação dos danos a seu cargo ou o valor de indemnização a suportar em caso de acidente serão mais elevados.

Contudo, não é esperado que tenha acidentes com regularidade. Ter uma franquia mais elevada e um preço de seguro mais baixo pode ser uma forma de incentivar os condutores a terem um cuidado redobrado na estrada e a praticarem uma condução defensiva, de forma a evitarem acidentes.

 

In Jornal Economico

Governo elimina cor verde do dístico do seguro automóvel e afixação do dístico da inspeção

A eliminação da cor verde do dístico do seguro automóvel, que a lei obriga a afixar no vidro do carro, foi publicada em “Diário da República”, numa portaria que também elimina a afixação dos dísticos comprovativos de inspeções periódicas obrigatória.

Quase há 25 anos, desde 1995, que a vinheta relativa ao seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel, emitida pelas seguradoras e entregue ao tomador do seguro juntamente com o certificado internacional de seguro (carta verde), devia ser de cor verde e segundo um certo modelo.

O modelo mantém-se, mas o dístico, que tem a forma de vinheta, deixa de ter requisito de cor, na sequência de o Serviço Nacional de Seguros Português (o gabinete português de Carta Verde) ter autorizado, a partir de 1 de julho passado, as empresas de seguros a emitir o certificado internacional de seguro de responsabilidade civil automóvel em papel branco, o que motivou a publicação hoje da portaria que elimina o requisito da cor.

No mesmo diploma, o executivo explica que, pela primeira vez, não vai regulamentar as características relativas aos dísticos comprovativos da certificação da realização das inspeções periódicas obrigatórias, dado que a regra legal que estabelecia a sua obrigatoriedade foi revogada, em 2012, com as alterações ao regime de inspeções técnicas de veículos, passando a ser a ficha de inspeção do veículo que serve de comprovativo.

O Governo, na portaria, explica que a razão da alteração da cor do papel no qual é impresso o Certificado Internacional de Seguro Automóvel é a simplificação de processos, podendo agora o documento ser enviado por correio eletrónico (e-mail) a preto e branco, e ser impresso pelo tomador do seguro, permitindo ainda contornar situações de extravio da carta verde nos correios ou de atraso na sua entrega.